Qui Nov 22 2007
É preciso que os madeirenses tenham consciência de que a Segurança Social está regionalizada no entanto todas as verbas que ela gere são transferidas pela República. Pensões, Subsídios de reinserção (Rendimento mínimo), abono de família, redes de apoio aos idosos, subsídios às Santas Casas da Misericórdia e a todas as instituiçes da carácter social (religiosas e laicas, etc). Resumindo: o Governo Regional cumprimenta com o chapéu da República.
Dito isto devia ficar por aqui mas porque tento ser intelectualmente honesto vou tirar as devidas ilações. Da mesma forma que se criou o Centro Internacional de Negócios sem suspeitar sequer das consequências que isso teria para o PIB e consequentemente para os enormes fundos da UE, não se pensou que uma certa "generosidade" posteriormente teria consequências estatísticas e políticas. É verdade que há muita pobreza na Madeira mas essa pobreza só tem tão elevada expressão estatística (22%, 55.000 pobres) porque o Governo Regional e a Segurança Social aproveitaram-se do facto do dinheiro ser proveniente da República para serem mais generosos e tolerantes nomeadamente nos critérios de pobreza. Tenho a impressão que este facto poderá ser constatado especialmente na atribuição do actual Rendimento de Inserção, anterior Rendimento Mínimo. Um estudo estatístico certamente permitirá constatar que nos meses anteriores a eleições os critérios de atribuição deste subsídio eram pouco rigorosos para voltarem a serem apertados meses depois das eleições. A minha conclusão é que o Governo Regional está a ser vítima de uma armadilha que ele próprio criou. Se todos estes subsídios viessem directamente do orçamento regional certamente que a Segurança Social madeirense, quotidianamente, não reconheceria tão elevado número de pobres. É fácil cumprimentar com o chapéu dos outros, manter uma reserva de votantes que vivem na dependência do governo, no entanto podemos ser atraiçoados pelos números!
Qui Nov 22, 11:05:00 PM 2007