Estar a par da legislação e dos procedimentos contabilísticos que devem reger uma autarquia quando o próprio executivo não está;
Fazer recomendações e críticas sobre a actividade da Junta e da Assembleia e não receber feedback à altura mas ameaças e palavrões;
Ver a sua participação ser omitida ou deturpada na acta;
Ter que, sistematicamente, escrever uma declaração de voto de reprovação da acta (c/ de 2 páginas) para repor as omissões e deturpações, etc;
Desiludir-se com o Tribunal de Contas por este não conseguir, na sua actividade normal, detectar as graves irregularidades financeiras e formais;
Ter que, sistematicamente, escrever uma declaração de voto de reprovação do Orçamento (Dezembro) e Apresentação das Contas (Abril) alertando para os erros formais e denunciando as ilegalidades financeiras a serem cometidas e cometidas respectivamente, etc;
Saber que noutros orgãos autárquicos tais irregularidades também acontecem mas que os membros da oposição não têm conhecimentos para os detectarem ou personalidade suficientemente forte para os denunciarem;
Encontrar o carro riscado durante uma reunião da Assembleia de Freguesia;
Encontrar o carro riscado enquanto faz parte da secção de voto;
Ser ameaçado de agressão, enquanto delegado partidário, numa secção de voto;
Ser "cumprimentado", publicamente, com "carvalhos" e "canas" pelo secretário da Assembleia de Freguesia na "VII Mostra da Banana";
Ver recusado o cumprimento por parte do padre Isidro Rodrigues, publicamente, num cocktail do dia da freguesia e ser enxovalhado verbalmente;
Ouvir discursos no dia da freguesia, por parte do padre Isidro Rodrigues, de enaltecimento do Gov. Regional e diabolisação da oposição socialista;
Ser enxovalhado verbalmente, publicamente, na "VII Mostra da Banana" pelo padre Isidro Rodrigues;
"Sentir" que a "liderança" do PS não se apercebe dos custos pessoais que um eleito anónimo pelo partido "paga" por assumir efectivamente o cargo para que foi eleito;
Perceber que a "liderança" do PS em deslocação à "VII Mostra da Banana" não tem a sensibilidade e inteligência de mostrar que tomou conhecimento de uma denúncia feita por um elemento ali presente a propósito de irregularidades na Junta de Freguesia feita no DN;
Estar numa festa popular e sentir que as poucas pessoas que conhecemos nos evitam, inclusive à nossa mulher e filhos;
Ouvir da parte dos poucos amigos que temos, de fora da freguesia, recomendações para deixar a política com argumentos pouco abonatórios para o partido;
Sentir que a vida familiar e social é prejudicada por ter assumido o mandato e não andar a fazer de conta como a maioria;
Perceber que o partido não tem a inteligência suficiente para criar "redes alternativas de amizade" para obviar ao isolamento a que são votados os elementos que entram em choque com o "sistema". Aliás, no partido socialista, é difícil aliar a política à vida social pois é difícil encontrar casais com filhos. No partido socialista só encontramos líderes solteiros ou divorciados. A constituição de família parece implicar vergar-se ao sistema ou perder a família durante a luta contra o sistema;
Perceber que aquele que devia ser o nosso maior aliado é frequentemente aquele que nos magoa mais. Estou-me a referir ao povo. Não são somente os resultados eleitorais que magoam mas a discriminação a que somos votados por esse povo.
Posso afirmar que enfrentar o PSD é prescindir de muito a troco de nada (c/ de 53,00 euros anuais). Quem conseguir manter a sua integridade num ambiente destes está de parabéns mas não espere reconhecimento de ninguém pois não há-de tê-lo. Quem se vergar ao “sistema” seguirá a sua vida normalmente pois na sociedade madeirense tal comportamento é incentivado e até recomendável.
Quanto a mim, contra toda a racionalidade, não me vergarei ao “sistema” e aos “sistemas”.