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terça-feira, 31 de julho de 2007

O camaleão político

J. Roberto Silva in Diário de Notícias (Madeira)



Os tipos políticos
Data: 28-04-2007


Com a aproximação das eleições regionais tem-se vindo a tomar conhecimento da existência de um tipo de pessoas ligadas à política mas não pertencentes a ela, os tipos políticos. Esta espécie, até agora mais ou menos incógnita, começou a dar nas vistas pelas suas actuações que em nada têm a ver com a política, mas sim, única e simplesmente com as suas ambições pessoais, e obvio está, com os seus interesses. Como trampolim para as suas ambições, filiam-se em partidos políticos, fingindo fazer eco da ideologia partidária a que aderiram, mostrando-se sempre disponíveis e intervenientes nas actividades partidárias, forma de dar nas vistas e tornarem-se notados, parecendo ser uns leais e dedicados servidores dos interesses do partido. Fruto dessa ardilosa dedicação ganham notoriedade e confiança, acabando por serem escolhidos como representantes do partido, no caso presente, para encabeçar listas. Dispondo de toda a logística partidária, técnica e financeira, conseguem ser eleitos, o que de outra forma nunca seria possível. No desempenho das suas funções políticas beneficiam de todo o apoio do partido, quer este esteja ou não no governo, com o qual conseguem angariar a almejada reputação pessoal, que apresentam aos cidadãos comuns como se tudo fosse produto da sua exclusiva competência. Geralmente os seus pecados acabam por vir ao conhecimento público, não sendo possível o encobrimento da sua incompetência. O partido para se demarcar de tais actos e para salvar a sua própria imagem, resolve e muito bem, não os nomear para se recandidatarem aos lugares que exerceram, fazendo-se valer para isso da disciplina partidária. Para qualquer político filiado que se preze, acima de tudo está a disciplina partidária, sem a qual o partido não tem razão de existência. Na circunstância, os ditos tipos políticos, ao não terem a confiança do partido, deixam cair a máscara e pura e simplesmente desobedecem, desertando sem o mínimo complexo de culpa ou de renega de ideais, que em abono da verdade nunca tiveram, para sozinhos tentarem a aventura de reconquistar o seu antigo cargo. Mas ainda mais, para que essa aventura possa ter sucesso assegurado, não se importam de vender a alma ao Diabo, ou seja, receber os apoios partidários de outra facção antagónica. Estes senhores da política, a que eu chamo os tipos políticos, infelizmente são em número muito grande no nosso mundo político, só que a sua identificação nem sempre é fácil, pois uns são laranjas, outros rosas ou vermelhos, outros são descorados, mas os mais difíceis de identificar são os camaleões. Nota pessoal: Gostaria que este espaço (cartas do leitor), que o DIÁRIO coloca de uma forma única ao serviço dos cidadãos, não fosse desperdiçado por alguns em "debatezinhos politiqueiros" interpessoais ridículos, mas sim aproveitado como verdadeiro instrumento de utilidade pública onde cada um de nós pode LIVREMENTE exprimir sobre os mais variados assuntos de interesse colectivo ou individual, ainda mais numa altura em que todos os quadrantes (políticos, religiosos, sociais) só falam nas famosas CARTAS DO LEITOR do DIÁRIO.