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sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Quinta Magnólia

Uma Quinta esquecida... in DN (Madeira)
Simão Ferreira Ascenção, aluno de enfermagem
Data: 11-06-2007

Pertencente a uma família inglesa, foi durante anos a sede do British Country Club. Em 1974 foi adquirida pelo Governo Regional e recuperados os edifícios, os equipamentos, os jardins e... pelos vistos, rezou-se para que a erosão não ocorresse. Ainda me recordo quando, em criança, ia aos fins-de-semana à Quinta Magnólia com os meus pais. Naqueles dias de sol, vestia uma" roupa velha" e era sempre uma manhã de diversão garantida. - A grande árvore que me metia medo, o coreto branco onde dei os meus primeiros" espectáculos ", os patos e os trevos de quatro folhas. Engraçado, não foi assim há tanto tempo, mas tenho saudades de como a quinta era importante para mim. Hoje olho para ela e ambos envelhecemos. Agora tenho barba e mais uns bons centímetros e a quinta está sem brilho... Recentemente deparei-me com uns cartazes num dos muitos locais de publicidade para o turismo da Madeira. De entre tantos chamou-me a atenção um dizia qualquer coisa como, "...Quinta Magnólia, com piscinas e campo de ténis...". Fiquei sem palavras. É o mesmo que falar num Stand de Carros, dizer que tem casas de banho, 8 funcionários, cadeiras azuis e não dizer que tem carros. Sinceramente, e pensar que é nesta quinta que estão magníficos exemplares de Cicas, Palmeiras e uma grande mata de Casuarinas. E isto para não falar de alguns sites na Internet que tentam intitular a Quinta Magnólia de Praia! "A Quinta Magnólia não pode ser considerada propriamente uma praia, mas é sem dúvida um dos espaços mais agradáveis do Funchal... ", " ... com piscinas... ". De facto, a gota de água para eu escrever este artigo foi a última visita que fiz ao tão falado circuito de manutenção. Pelo menos é assim referenciado nas" grandes" publicidades da especialidade... Deixei o carro no parque e subi as escadas. Ao longe a Jacarandá ainda lá estava. Muitas das pedras que compõem o caminho estão soltas e os muros têm verdadeiros" barrigões" insinuando queda. Pouco depois surge a "casinha dos patos" como em criança chamava. Exacto, a casinha, porque patos nem um. Em seguida, em modo de compensar, temos uma cerca com patos, galinhas, pavões e umas pombas que por ali passam. Todos numa grande família de bicos. Agora já não há caminho, apenas rasgos de terra estreitos que dão acesso a 3 placas de aço tortas, e 3 barras presas a troncos podres. Claro, já chegámos aos primeiros" aparelhos de manutenção". Se calhar continuava o artigo com sarcasmo, mas a verdade é que perante tal cenário só sinto pena e nada mais. O pior é que, continuando mais uns metros à frente, as vedações não são seguras, os restantes "aparelhos" já não existem ou pelo menos só restam ripas de madeira podre e a ponte que atravessa o circuito ( Ponte do Ribeiro Seco) verte uma água com um cheiro verdadeiramente andrajoso. Num acto de fantasia diria mesmo que esta quinta chora de tristeza. Concluindo, tenho pena do estado actual da Quinta Magnólia. Deu-se importância às piscinas, fazem-se eventos ( realizam-se anualmente alguns espectáculos musicais, de entre eles o Funchal Jazz ), mas a verdadeira beleza desvaneceu-se. A quinta precisa de manutenção urgente e todos os quase 40.000 m2 de terreno são importantes e não só a porta principal e mais uns metros à frente. Ainda tenho esperança de reviver aqueles dias de sol.