quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Madeira: purgatório de comerciantes, inferno de consumidores

Juvenal Pereira in DN (Madeira)

Comércio em crise?
Data: 09-06-2007

O Comércio anda mal, alertam os comerciantes, levando mesmo queixinhas até aos governantes. Ciganos e chineses são alvos atingidos, como se tudo ficasse bem caso eles fossem banidos. Ninguém fala no excesso de lojas no mercado, e muito menos nas concorrências desleais feitas por alguns comerciantes locais. Sejamos honestos e façamos uma reflexão, talvez encontremos outras causas para a má situação. Primeiro toda a gente quer ser patrão, mesmo que não tenha bases de sustentação e ainda assim se uns querem-no por necessidade, outros… Deus lá sabe a razão! Para muitos todo o dinheiro que entra na caixa é lucro, do negócio é desviado, muitas das vezes, para compra de bons carros, deixando os credores "pendurados" que, por arrastamento, provocam outros lesados. As autarquias colocam espaços comerciais a concurso, oferecem pelas rendas montantes que são absurdos. Para as pagar os produtos ou serviços têm de aumentar, os clientes, claro, deixam de aparecer, é a crise - dizem eles - que estamos a viver. O mesmo acontece nos pequenos centros comerciais e nas grandes superfícies, rendas brutais e condições descomunais que aceitam de livre vontade, para fecharem as portas uns tempos mais tarde. Passamos numa montra vimos, por exemplo, um casaco, adquirimo-lo pelo preço marcado. Quinze dias depois, às vezes nem tanto tempo, o mesmo artigo está lá exposto com desconto de cinquenta, sessenta por cento. Apetece-nos perguntar, afinal com que margem de lucro andam estes senhores a trabalhar? E isto acontece no comercio (quase) em geral, a política de preços (ou vendas) é irracional. Aliás, na nossa modesta opinião o que nos dá a sensação é de que hoje já não há saldos ou promoção, o que existe é o preço justo e a exploração, salvo uma ou outra excepção. E para além de tudo isto, como já atrás deixamos dito, ainda há outra explicação, somos trezentos mil e temos comércio para um milhão, não é de admirar que muito comerciante esteja em aflição. E continuamos - é preciso não esquecer - a permitir que em cada bloco de apartamentos se construa espaços para estabelecimentos. Algum dia isto tinha de se dar, haver mais negócios do que gente para comprar. E o pior é que isto não pára, novas grandes superfícies para abrir se preparam. E não se pode condenar que as pessoas com baixos ordenados e o custo de vida disparado, procurem os locais onde compram mais barato. E já agora outro facto, produtos da China, da Índia, da Indonésia, do Brasil e de outros países onde se adquire barato, já os há à venda por todo o lado, agora se há quem os vende caros, fora da concorrência, tem de aguentar-se com as consequências. Acreditamos que o comércio em geral esteja mal, precisa rever os seus sistemas de vendas, fazer análises e tomar decisões, mas isso compete aos comerciantes e respectivas associações. Quanto ao governo achamos mais conveniente e mais lógico mandar os fiscais passar uma vista de olhos pelos produtos ditos biológicos. Os de cá da terra que dizem ser melhores, mais puros e gostosos, «só o que não dizem é que os preços começam a ser escandalosos.

3 comentários:

BaBy_BoY_sWiM disse...

Nunca percebi... Como é possível Portugal não ter feito a mesma coisa a nível economico que a Irlanda?!

Merda de Mários Soares e etc... Lendo o livro do Marcelo Caetano talvez estivessemos melhor se ele tivesse realizado as suas medidas!


Agora falam que há lojas a mais, há ciganos, há chineses... Isso são puramente desculpas esfarrapadas! E a culpa é da mentalidade dos portugueses... Por exemplo um português vai para o estrangeiro é capaz de lavar pratos e limpar a merda dos outros... Em Portugal tem que ser o patrão... Agora que estou a fazer Erasmus uma francesa disse-me: "há uns portugueses que moram ao meu lado e tem carros mas só usam para ir a Portugal no Verão, durante o ano andam de transportes para não gastar dinheiro!"

Enfim... O Português só pensa em como gamar mais e como esconder mais do Estado... Depois admira-se que digam Portugal está na merda... Mas vamos ver e a crise só afecta aqueles mesmo pobres... Porque os outros estão sempre a roubar e a declarar que ganham ordenados mínimos...

Onde anda uma ASAE?! As vezes acho que devia haver era um IRS fixo tal como nos países de Leste... Isto seria... As pessoas que não tem € através dos rendimentos demonstrados não pagariam, mas não recebiam nada... Quanto às pessoas com empresas e tretas (não interessa o que declaram à segurança social) pagavam um valor fixo! Assim não havia fuga!

Portugal é um país que se pensa que quem roubar mais é que sobrevive... Enquanto essa mentalidade não mudar vamos ser a cauda da Europa... Ou então será necessário mais um Salazar...

amsf disse...

No papel é fácil governar...se a realidade não mudasse, se os vários actores políticos, económicos, sociais, etc não reagissem até eu conseguiria governar com muito sucesso!

Essa mentalidade de comer merda no estrangeiro e no seu país exigir caviar é consequência da pressão social e de uma determinada mentalidade. Até cá dentro isso acontece...em casa são capazes de comer comida quase azeda mas fora (paga ou não) são muito críticos e mal agradecidos. Chamaria doping social a este comportamento que na prática consiste em viver miseravelmente quando "ninguém" está a ver para poder ter recursos para bater o "outro" nos consumos na praça pública! São pessoas que não vivem para si mesmas mas para "criar" uma imagem de si próprios perante os "outros". A percentagem de pessoas assim é altissima, é a regra e não a excepção. O que vive de forma equilibrada é considerado forreta!

Há ramos dos serviços em que há uma colecta mínima (taxistas ?). Não acho sério que se passe mais do que 3 anos a declarar prejuízos num negócio...ninguém se mantém num negócio com prejuízo durante tanto tempo. Os negócios familiares são provavelmente os que mais burlam bastam que paguem principescamente aos seus funcionários para que o negócio (café, restaurante) não dê lucro. 1800 euros ao pai chefe de mesa, 1600 à mãe cozinheira, 1400 ao filho gestor de stocks, 1300 à filha que serve à mesa e não há maneira de o negócio dar lucro.

O excesso de comerciantes nos vários ramos de actividade na Madeira, não esquecer que o nosso mercado é exíguo, não permite que qualquer deles tenha um sucesso significativo e porque estas pessoas parecem não saber fazer outra coisa impossibilita uma verdadeira concorrência que beneficie o consumidor. Parece um paradoxo, apesar de haver excesso de oferta os preços não baixam porque os comerciantes não desistem da sua actividade o que impossibilita que qualquer um deles possa conquistar uma fatia do mercado que possibilite baixar os preços para vender mais unidades do mesmo produto.

Blablabla

BaBy_BoY_sWiM disse...

E depois admiração que aparece as multinacionais e esse comercio tradicional fecha... O que eu acho mais estranho é a insistência de querer manter aquelas horas de funcionamento!

Por exemplo as pessoas trabalham... E na hora de almoço podiam dar uma escapadinha e comprar algo... Eles fecham... A maioria das pessoas saí as 19 horas do trabalho... Eles fecham as 19 horas... Não acredito que seja só os funcionários publicos a comprar pois esses saem às 16.30 e 17.30... Enfim... :)