segunda-feira, 16 de junho de 2008

O pânico do NÃO Irlandês!



Àqueles que se regozijam com o NÃO Irlandês e desejam que este resultado ponha em causa a União Europeia e consequentemente a moeda europeia recomendo o seguinte:

Troquem as vossas poupanças por notas cujo número de série comece por X. Estas notas foram feitas na Alemanha e na hipótese remota de cada banco central nacional recolher as suas notas e as trocar por notas nacionais aquelas serão as mais valorizadas!

Acredito que o NÃO Irlandês não foi uma resposta ao Tratado de Lisboa porque no geral ninguém o conhece mas uma resposta à situação económica do país. Se é verdade que a Irlanda foi um dos países que mais se desenvolveu nos últimos anos também é verdade que está a ser atingida por uma grave crise no mercado da habitação (Rebentamento da bolha imobiliária).

A Madeira apesar do desenvolvimento que atingiu, só possível com os fundos da UE, responderia da mesma forma a um referendo. O AJJ não perderia a oportunidade de o usar como arma de arremesso contra o Governo da República! O eleitorado facilmente seria levado a pensar que o seu baixo poder de compra se deveria ao Euro, a questão dos combustíveis idem, etc! Se os fundos da UE não foram devidamente aproveitados isso deve-se aos nosso líderes políticos e empresariais!
Se há "povos" que devem muito à UE são os Irlandeses e os madeirenses!

2 comentários:

Donato P. Vares Macedo disse...

Caro António.
Este NÃO irlandês foi deveras oportuno, mais na forma, do que na essência.
Independentemente das quesílias da nossa politiquice doméstica e como tal, perfeitamente insignificantes eu discordei sempre dalguma "pressa" introduzida neste documento e sobretudo da forma de o ratificar. Não só a construção europeia não se fez da noite para o dia, como neste Tratado estavam e estão contidas importantes matérias, a que os povos devem ser chamados a se pronunciarem e delas devem ser o mais esclarecidos possível.
Assistimos na generalidade dos casos a uma ratificação parlamentar com um deficitário debate público. E aqui no caso português, a generalidade das forças políticas tiveram imensas responsabilidades tanto à esquerda, como à direita.
O facto da Irlanda ter sido um dos Estados que mais beneficiou dos fundos comunitários, (e que melhor os aproveitou), não deve condicioná-la a ver-se obrigada a "comer" ou a "assinar em branco" tudo aquilo que os tecnocratas europeus e pró-federalistas ambicionam com uma macrocefalia germânica ou galicista. Aliás basta atentar um pouco na história contemporânea deste país, relativamente ao Reino Unido.
Por isso espero que este impasse sirva para que os "donos" da Europa repensem o modelo que querem e debatem-no sem tabús com os povos. A Europa desde tempos imemoriais que é uma manta de retalhos, e o esforço notável de a remendar, deve ser o mais participativo possível com uma massa crítica esclarecida, sem rodeios.

amsf disse...

Independentemente do conteúdo objectivo do Tratado de Lisboa a UE foi construída a pensar numa futura federação. Os países/povos "ricos" da Europa ao aceitarem financiar o desenvolvimento dos economicamente mais atrasados foi certamente com o intuito de futuramente formarem uma única nação! Às vezes pergunto-me o que pensará o cidadão comum da avalanche de fundos da UE que muito contribuíram para um nível de vida "superior" ao que teria se não tivesse-mos aderido À CEE! Porque quase ninguém dá nada a ninguém não consigo imaginar o que pode pensar uma pessoa que não faz a mínima ideia do que é a UE! Simples caridade!? A UE só faz sentido como federação e posteriormente como nação. Uma nação com territórios mais ricos e mais pobres, em que os impostos dos primeiros ajudem a amenizar as dificuldades dos segundos. Uma nação em que politicamente não existam portugueses, espanhóis, ingleses, alemães, etc, mas somente culturalmente!
Como é evidente a origem desta Europa é essencialmente económica, é a criação de um mercado para as multinacionais europeias. É a economia de escala que acaba por favorecer também o cidadão comum, o consumidor. Como é evidente há perigos no entanto parece-me que são inferiores aos que corre cada povo na sua nação. Monopólios empresariais parece-me serem mais difíceis de se constituírem neste espaço amplo e diversificado, poderes políticos absolutistas idem.
Se aos poucos não se for criando este espírito de nação dificilmente os cidadãos da Europa rica aceitarão continuar a financiar estes europeus que se acercam da mesa mas que depois de saciados regressam as suas casas cheios de orgulho saloio! Sem valores comuns, sem uma cultura comum a Europa do subsídio tenderá a ser rejeitada por aqueles que a financiam!